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A METAMORFOSE NA ESCRITA DE JOSE JORGE LETRIA

 

A METAMORFOSE NA ESCRITA DE JOSÉ JORGE LETRIA



O estudo que trazemos a este espaço centra-se num corpus pertencente à extensa obra Infanto-Juvenil do escritor José Jorge Letria constituído por um conjunto de narrativas, na sua maioria, breves e, que sugerem quase sempre ausências de descrições topológicas, axiológicas ou de caracterização dos seres envolvidos nos enredos.

Pensamos haver uma intencionalidade precisa subjacente a essa forma de narrar, fundada no conhecimento profundo dos seus destinatários preferenciais, cuja idade não os ajuda a quedar-se demasiado tempo numa só tarefa e, por isso, possa, eventualmente, ser necessário abreviar os contos, dizendo (quase) tudo em poucas palavras, solicitando dos leitores uma participação activa e uma adesão inequívoca aos conteúdos narrados, sem demoras.

Esta opção hermenêutica levar-nos-ia à problematização do estatuto da literatura infantil no seu confronto com os destinatários plurais, pois não podemos ignorar que “tem de enfrentar critérios contraditórios, que lhe são impostos pela necessidade de satisfazer tanto os adultos como as crianças e pela necessidade de corresponder àquilo que a sociedade acredita ser «bom» e apropriado para a criança” (Shavit, 2003:65), mas não é nosso objectivo enveredar por esse tipo de questões, apenas queremos afirmar que os escritores também estão bem conscientes que a estrutura da narração e a complexidade do texto têm de ser coerentes com o destinatário preferencial previsto na construção da obra literária.

Ora, estes contos de José Jorge Letria têm sobretudo a ver com tópicos fugidios, centrados na emergência da metamorfose, enquanto fenomenologia de índole metafísica e que vai de encontro à resolução rápida das inquietações infantis como se de um jogo se tratasse, em que a solução para o medo, o amor, a morte e os outros desfechos da vida encontrassem um território onde, por excelência, tudo tem uma razão de ser.

Nos percursos analíticos que fizemos, encontrámos sempre uma solução baseada no imediatismo de uma ocorrência, oferecendo, na presença dos não-ditos textuais, todos os enigmas que põem o leitor em confronto com o real, levando-o a refugiar-se na esfera da imaginação.

Se observarmos bem, o enfoque destas narrativas recai, sobretudo, sobre o processo em que ela decorre, pois assiste-se a um determinismo constante, doado pela obtenção de resultados de onde sobressaem, sempre, soluções válidas e satisfatórias para as problematizações apresentadas. É precisamente nesse decurso que a Metamorfose se eleva como um devaneio encantatório que, longe de pretender dar soluções “escapistas e compensatórias – no limite, delirantes – de quase desesperada fuga a um mundo (efectivo ou suposto) de realidades (Moura, 2002:23), negativiza o estabelecido e é fenómeno de abertura simbólica perscrutadora de outras realidades.

Assim, as diferentes vertentes em que a Metamorfose foi por nós analisada conferem-lhe pontos de conexão indiscutíveis na construção do Imaginário, rasgando a acomodação ao estabelecido e ao imperante. O seu carácter inesperado prepara o acolhimento a factores inesperados, condutores ao alargar de novas possibilidades e a novas esperanças.

 

1. Efeitos perlocutivos substanciais

 

Sabemos que à Literatura Infantil é reconhecido um relevante papel de iniciação estética, através da qual o leitor-modelo criança, sozinho ou com a mediação do leitor adulto, aprende a configurar-se não só como participante activo na construção dos significados textuais, como também expande o seu saber acerca do mundo e alarga a sua competência enciclopédica, em particular naquilo que se refere ao conhecimento dos quadros de referência intertextuais” (Azevedo, 2004a).

Neste sentido, julgamos coerente a preocupação de José Jorge Letria, em adequar a sua produção literária ao seu destinatário preferencial, pois a percepção dos elementos que se constituem factores de novidade semiótica encontra-se muito dependente da competência enciclopédica do leitor e das suas experiências de leitura. Justamente por isso, a frequência da Metamorfose nas narrativas apontadas denota uma preocupação que procura contrariar “de forma intencional e deliberada, qualquer vestígio de sedimentação e de automatização dos hábitos perceptivos” (Azevedo, 2004a), produzindo no jovem leitor efeitos perlocutivos que se concretizam no processo comunicativo.

Por outras palavras, as narrativas que analisámos põem o seu enfoque em problematizações complexas que, numa primeira análise, parecem constituir-se uma impossibilidade interpretativa, porque solicitam do leitor, bastante inexperiente, a entrada em universos de abertura a possibilidades de mudança muito desviados e desviantes do mundo empírico-factual.

Ao embrenhar-se nos contos dos livros “Lendas da Terra” (Letria, 2003a) ou “Lendas do Mar” (Letria, 2003b) o leitor inicia-se nos preâmbulos cognitivos de explicação da génese da criação do cosmos, sendo-lhe oferecida a possibilidade de poder fazer a construção imaginária de uma realidade, cuja ausência de explicação exacta levará a que efective um pensamento autónomo e certamente divergente, no entanto, necessário e perscrutador de um enigma a desvendar. Por sua vez, esta temática, enquadrando-se na imagem arquetípica da Terra-Mater, enquanto espaço de harmonia e de organização para a humanidade, remete, de imediato, para noções essenciais de responsabilidade, de dever e de protecção. O leitor pode, desta forma, estabelecer uma correlação que “não assenta na simples equivalência automática, mas sim num princípio se bem que elementar de inferencidade a partir dos contextos” (Eco, 2004:77).

Embora seja verdade que esta literatura pode, em função de certas comunidades interpretativas, encontrar-se ao serviço de saberes didácticos e/ou moralizantes, entendemos que, dada a natureza dos textos escolhidos, o enfoque é dado aos fenómenos metamórficos, que se constituem sinais de orientação para a interpretação doutros universos, apresentados nos contos como metáforas ou sugeridos por mitos intemporais. Estes, longe de se constituírem objectos de reconto, executam a emergência do imaginário latente, apresentando-se ainda como a necessidade de revalorização de todos os referentes do passado, actuando num presente em construção e visando a perspectivação de um futuro de perspectivas mais amplas. “Assim, é precisamente no centro de uma metafísica da correspondência entre a ordem da representação e a ordem do cosmos que se assiste a uma espécie de teatro da desconstrução e da derivação infinita “ (Eco, 2004:78).

Os mitos, na Antiguidade, eram usados para transmitir aos jovens as condutas éticas e os valores que os ajudavam a compreender melhor algumas mensagens que era necessário veicular. No nosso tempo vemo-los ressurgir nas entrelinhas embrenhadas de imaginário e não podemos deixar de referir a sua importância na aquisição de competências sociais ou respostas às primeiras questões levantadas pelos jovens.

Ora, sendo os textos literários espaços onde confluem diferentes mensagens, a sua natureza polifónica e dialógica, devidamente mediada e orientada, conduz o sujeito em construção à posse ou tomada de consciência de outras realidades. Sem pretendermos apresentar as narrativas como um ideal pedagógico, de onde se parte e chega com intenções meramente educativas, não podemos avançar sem referir a sua importância na tomada de consciência individual e colectiva que ajuda o leitor a fazer a passagem das suas dificuldades, a vencer fantasmas que o atemorizam, encaminhando-o para uma vida adulta de respeito e de abertura para o Outro.

No entanto, nada se desenvolve de forma espontânea nas crianças. Acreditando que a leitura e a exploração textual fazem parte de um conjunto importantíssimo no envolvimento do texto literário, estas narrativas apresentam ao pequeno leitor o tema da Metamorfose, motivando para o jogo da participação e solicitando o seu envolvimento dinâmico com o texto literário.

Assim, percepcionando os postulados que estão subjacentes à temática apresentada, tais como a busca e a satisfação do desejo, obtidos a partir da realização de percursos e viagens, repositores da ordem e do equilíbrio emocional, a criança vai alargando o seu universo intelectual, alcançando o grau de satisfação sempre que desenvolve as respostas correctas ou concretiza identificações com o herói da história.

Embora os temas da aventura e da viagem introduzam os leitores em percursos orientados para a estranheza do desconhecido e do inóspito, desraízados de topos referenciais obscurecedores da confiança infantil, sabemos que essa empresa de descoberta pessoal e/ou colectiva tem como finalidade o crescimento psicossocial do Eu, com vista ao desenvolvimento da alteridade e da pedagogia do êxito, concretizada pelo sucesso da demanda empreendida (Bettelheim, 1998).

Como podemos ver no conto “O homem que tinha uma árvore na cabeça” (Letria, 1991) esse processo iniciático concretiza-se principalmente na efectivação de uma viagem realizada pela interioridade da personagem, e os obstáculos a transpor por ela são de carácter muito subjectivo, embora se desenvolvam numa área consonante entre a pessoalidade e as consequências que advêm do desenvolvimento das suas ideias em torno da alteridade. Deste conto advém a problemática da discriminação e recriminação social, da cidadania, da auto-estima que levam o leitor reflexivo à percepção de conceitos ligados à liberdade, à solidariedade, à ética do humanitarismo e mesmo da desigualdade.

Nesses percursos de obstáculos (in)transponíveis os factores de transgressão surgem também como forma de afirmação psicológica e ideológica. Ao serem facilitados por fenómenos de transmutação como pudemos ver nos contos “A flor e o colibri” (Letria, 2003a:23), solicitam ao cooperante leitor o reforço da percepção da morte como apenas um meio de encorpar uma forma nova de existir e de aceder a hermenêuticas de complexa densidade. Assim, ao aceitar as marcas de estranheza, interage naturalmente com o texto, o activo leitor participa e reflecte, empreendendo um trabalho cooperativo, provocador de efeitos perlocutivos. O mesmo acontece em “Grão a grão se trava o mar (Letria, 2003b:16) ou em “O Tesouro escondido” (Letria, 2004:22) onde esta temática se desenvolve na pesquisa dos significados plurais, que tecem os textos e os intertextos, fazendo assim “estalar a linearidade do texto” (Jenny, 1979:21).

A partir do uso dos textos embrenhados de fenómenos metamórficos, o sujeito interactivo poderá ficar informado sobre a riqueza semântica de inúmeros mitos da Antiguidade, que permanecem ainda hoje em muitas formas de arte contemporâneas, além da literatura. A noção de mutabilidade, associada ao papel de elementos embrenhados de secretismo, ligados à manipulação da alquimia, enquanto arte transgressora dos limites impostos pela racionalidade, pelas leis naturais ou éticas, continuam actuais no que concerne à procura incessante de elixires que perpetuem a eterna juventude psicológica ou a eternidade do corpo. Tal como afirma Umberto Eco (2004:80) “toda a linguagem alquímica e as suas liturgias operativas falam de alguma coisa diferente, de um mistério religioso, da própria natureza da vida, de uma transformação espiritual”.

A narrativa “O Menino Eterno” (Letria, 1994) revela-nos que “o ser humano é infinitamente complexo e profundo, e as suas facetas interiores, incontáveis e imprevisíveis, combinam-se, em cada um de nós, de formas diferentes. Encontram-se sempre em mutação, de modo a produzir, ciclicamente, novas fusões e mudanças, que retratam e explicam sentimentos vividos em determinada fase da vida” (Castro, 2005:17). O seu pendor filosófico, em constante diálogo com o leitor, oferece-lhe várias indicações imagéticas, através das quais a preocupação sobre a finitude humana adquire solução, tornando “real um sonho que há muito existe no espírito dos homens (Letria, 1994:17).

Acreditando na leitura, o indivíduo em crescimento apreende as diferentes mensagens veiculadas. Segundo a psiquiatra e psicanalista americana Jean Shinoda Bolen (apud Castro, 2005:17), mediante um estudo aprofundado dos arquétipos masculino e feminino, os mitos retêm um valor inquestionável na promoção do auto-conhecimento. Nesses estudos apontou que “todas as deusas e as deuses, com as suas características psicológicas específicas, representam padrões potenciais no nosso psiquismo. A sua acção depende da predisposição, da família, da cultura, da relação com outras pessoas, de circunstâncias não escolhidas, da actividade exercida e das fases da vida” (Castro, 2005:17).

Com efeito vemo-los deambular e agir nos contos “E assim nasceu o arroz” (Letria, 2003a.4), em “A deusa que esculpiu o homem” (Letria, 2003a:11), nos “Segredos da Terra e do Céu” (Letria, 2003a:16), “O homem e o suor de Deus” (Letria, 2003a:31), “O corvo que soltou os ventos” (Letria, 2003a:51), em “Castigo de sal” (Letria, 2003b:4) hasteando, numa atitude sempre poderosa, os símbolos e as imagens, partes constituintes do cosmos no qual o indivíduo concretiza as suas manifestações socioafectivas, socioculturais ou sociobiológicas.

As constantes tentativas de interpretação do mundo são mediadas, nas palavras de Gilbert Durand (apud Sousa, 1997:1151) pelo “conjunto de imagens e de relações de imagens que constitui o capital pensado do «homo sapiens» – […] o grande denominador fundamental onde vêm dispor-se todos os procedimentos do pensamento humano”. As suas repetidas questões apenas obterão resposta caso o sujeito-leitor consiga uma relação dialéctica profunda e participativa entre o Eu, representante da sua interioridade, e o cosmos onde vive e sobrevive. É nesse dinamismo organizador definido por Durand (1989) em torno da «arquetipologia», que se organizam grupos de imagens convergentes que podem ser vistas “como antídoto face à angústia provocada pelo tempo e pela morte” (Sousa, 1997:1154).

De facto, o jovem leitor aprende, através da mitologia fabular de costumes animais, a reconhecer a “imaginação animalizante” (Sousa, 1997:1154) como um processo através do qual se pode encarar a natureza profunda e biológica dominada pelo conjunto de normas sociais repressoras e dominadoras dos impulsos de agressividade. Com efeito, o “ordenamento da animalidade (…) é o símbolo da civilização (…) em prol de um projecto que faz passar a condição humana do mundo selvagem para o mundo civilizado” (Thomas, 2003:481).

O imaginário do animal é representativo nalguns contos de que dispomos. Em “O Índio que refez o mundo (Letria, 2003a:28) o simbolismo “mordicante”, arquétipo da devoração, surge representado “num castor de dentes aguçados” (Letria, 2003a:28), enquanto que em “O hálito da serpente e a ilusão do homem” (Letria, 2003a:35) a serpente continua vinculada à acção de picar e de subverter. Surgem o colibri, o gavião-real, o corvo-negro (Letria, 2003a:23-54), o albatroz-real, a gaivota (Letria, 2003b:29-60), os pássaros em geral (Letria, 1991), o falcão (Letria, 1994:18) num desfile ornitológico cujo simbolismo remete para o “desejo dinâmico de elevação, de sublimação” (Durand, 1989:92). O cão (Letria, 2004:24) e o cavalo (Letria, 1987:26) tal como surgem nos relatos míticos, mostram que a “orientação teriomorfa da imaginação forma uma camada profunda, que a experiência nunca poderá contradizer, de tal modo o imaginário é refractário ao desmentido experimental” (Durand, 1989:92, 51).

A simbólica destas narrativas em torno da emergência do indecifrável e dos fenómenos metamórficos que intentam uma incessante justificação e interpretação do mundo, patenteiam repetidas questões através das quais é dado ao sujeito-leitor a possibilidade de interrogar-se sobre a lógica deste mundo em constante regeneração, “segundo a qual cada indivíduo é autor da sua própria elevação” (Thomas, 2003:480).

 

 

2. Os textos potenciadores de determinados valores

Actualmente muito se teoriza relativamente ao papel desempenhado pela literatura na promoção e definição de determinados valores, julgados como vectores importantíssimos na orientação da conduta humana e na reorganização do seu nível de desempenho enquanto ser relacional e social. Sem dúvida que a literatura procura, desde sempre, um discurso epistémico com outras áreas científicas para poder responder às múltiplas solicitações do ser humano. Todavia, sabemo-lo, por detrás de uma obra literária há um escritor, ser actuante e mundivivente, que partindo de uma intencionalidade e das suas influências literárias antecedentes ao acto de criação, projecta na obra a sua posição relativamente a questões que reflectem a forma de estar no mundo, pondo em destaque posições de aceitação ou de crítica a respeito dos problemas socioculturais, políticos ou religiosos que o inquietam.

Zohar Shavit (2003:62) entende que o sistema educativo é uma importante estrutura de referência para a literatura para crianças, no entanto, partilhando de opiniões críticas doutros especialistas da matéria, julga que o escritor para crianças não pode ser encarado como uma espécie de assistente social psiquiátrico extracurricular.

É devido à intencionalidade intrínseca à produção da obra literária que temos, obrigatoriamente, de atender à competência linguística e enciclopédica do seu destinatário preferencial, que, ainda não sendo capaz de reconhecer no texto as marcas de explicitação das problemáticas complexas, diminuídas pela sua curta convivência com a praxis do mundo, solicita do sujeito-criador o recurso a estratégias simbólicas de representação do real. Aí aflora a “imaginação, como faculdade que assume e constrói a coerência do ser, tece e projecta as imagens sempre necessárias à Bildung humana, ou seja, afirma-se como condição necessária, ainda que não suficiente, para formar «cabeças bem feitas»” (Araújo e Araújo, 2004:14).

Assim, recorrendo a metáforas, aos mitos, às utopias a obra literária emerge, assumindo os valores dominantes duma certa época, conectando-se irremediavelmente com as experiências fundamentais e originárias do homem, promovendo o encantamento do mundo, “onde a pessoa não aliene a sua individualidade e liberdade nem a alteridade do outro seja reduzida à sua mesmidade e, por isso, onde o princípio dialógico constitua a possibilidade humana de acesso a Ser (Araújo e Araújo, 2004:16).

Nesta aquisição é importante a mediação feita pelo adulto-mestre, no sentido de ser o guia e o orientador do sujeito-leitor, incentivando-o não só à criatividade como ajudando-o a descodificar as imagens presentes no mundo textual, que, por sua vez, promove uma constante abertura a outros textos.

A literatura destinada a crianças e jovens, sendo um objecto de fruição estética, pode constituir-se um elemento de partilha e de transmissão de valores imprescindíveis ao crescimento dos jovens-leitores. Estando estes completamente disponíveis para aumentar o seu background de conhecimentos, necessitam de ser conduzidos na selecção das suas leituras. Sem pretender dar enfoque a visões de carácter moralista ou meramente didácticos, entendemos que os leitores com reduzida capacidade de interacção e com tendências a imitar as atitudes adoptadas por certas personagens com as quais se identificam, devem ser ajudados a potenciar o desenvolvimento harmonioso da sua literacia.

Embora já tivéssemos referido algumas características fundamentais das narrativas analisadas, temos de realçar que o valor da Metamorfose, traduzida nos diferentes aspectos abordados anteriormente, surge como mecanismo de densidade semiótica elaborada, potenciador da reiteração de significados subjectivos diversificados, que, de outra maneira, seria impossível descodificar perante a criança.

Com efeito, o recurso à fenomenologia excepcional, arrebatadora de impossibilidades, suporta elementos que apelam ao diálogo e à cooperação crítica do sujeito-leitor, revalorizando lendas e contos ancestrais, perpetuando tradições, formas de justificar o impossível, promovendo a abertura à esperança de se poder ultrapassar os grandes obstáculos da vida por vias completamente inesperadas.

Os livros “Lendas da Terra” (Letria, 2003a), “Lendas do Mar” (Letria, 2003b), “Contos e Lendas do Japão” (Letria, 2004), “Contos da China Antiga (Letria, 2002) enunciam, pela análise dos seus títulos, uma dinâmica entre o produtor e o consumidor no sentido de se revalorizar um género literário um pouco em desuso ou quase esquecido e que importa incrementar. Por outro lado, esta forma de prolongar as narrativas mitológicas perspectiva a abolição da ideia de que as lendas e os relatos míticos são efémeros e pertenças apenas do passado. É preciso penetrar no conteúdo de cada título referido para verificar que assim não é, pois as linhas orientadoras das grandes preocupações modernas são tidas como as grandes questões e dúvidas de sempre.

Todavia, a abordagem destas narrativas exige «a suspensão da incredulidade» apresentado por Umberto Eco (1997:81), pois o “leitor tem de saber que o que é narrado é uma história imaginária, sem que por isso pense que o autor está a dizer mentiras”. Tal como afirma Alberto Araújo (2004: 46-47) no “âmbito da filosofia do imaginário educacional os deuses não são objectos de crença, nem interlocutores directos”, mas vemo-los actuar como “seiva mitogénica nas narrativas “Lendas da Terra” e “Lendas do Mar”, de um modo sistemático e inspirador, construindo e destruindo, reconstruindo e questionando, desfazendo, impondo, explicitando através dos seus poderes paranormais a omnipresença de uma força instauradora da ordem do cosmos, enquanto espaço interactivo de sobrevivência humana, que pede a urgência da formação de crianças que venham a ser adultos íntegros.

Pensamos ser oportuno convocar à nossa reflexão o conto “Segredos da terra e do céu” (Letria, 2003a:16) onde se patenteia, através de um relato lendário feito por “um homem sábio que era viajante” (p.16), a problemática que decorre da dificuldade em estabelecer a ordem social, quando o poder está instaurado e é reivindicado pelos poderosos de todos os tempos:

 

A história pode ser resumida desta maneira: o Imperador Amarelo, que era um feroz ditador, decidiu eliminar qualquer ligação entre os seres terrestres e o mundo celestial. Para tanto, decidiu agrupar a Lua, o Sol e os restantes planetas e astros no Norte, o que significava que as regiões do Sul ficavam injustamente privadas de luz e de calor.

Indignado com este procedimento despótico, o deus das Águas decidiu rebelar-se contra o poderoso Imperador Amarelo, o que originou uma guerra que foi travada durante décadas, tanto na terra como no mar. Nessa guerra, cada um utilizou todos os poderes que tinha ao seu alcance e procurou aliados nos lugares mais recônditos, pois o único objectivo era a vitória.

Uma das mais terríveis batalhas dessa guerra foi travada junto de uma descomunal montanha, que mais não era que o pilar que sustentava a parte ocidental do Céu.

Dando conta de que não dispunha de meios para vencer o Imperador Amarelo, o deus das Águas lançou-se com quantas forças tinha, e eram muitas, e conseguiu partir o pilar ao meio, o que originou uma valente derrocada cujos ecos chegaram aos confins do Universo.

Foi assim que se encontrou a ordem que ainda hoje rege os nossos dias e as nossas noites” (p.16).

 

 

Deste relato travado, segundo a lenda, entre “poderosos gigantes da mitologia (p.16), assistimos à arte mobilizadora de símbolos e imagens, cuja função é promover a enformação de uma racionalidade que parece esconder-se sob uma forma de narrar absolutamente inventiva. No entanto, é na oscilação maniqueísta existente entre o bem e o mal, a guerra e a paz, o ditador e o libertador que se promovem os valores que, por antítese, pretendem enunciar que depois do caos surge a ordem, depois da tormenta vem a tranquilidade e a felicidade duradoura.

Embora a presente narrativa pretenda, claramente, dar voz a ensinamentos que passam por uma certa tendência moralizadora ou didáctica do texto, concluindo que o comportamento assumido pelas personagens “foi rapidamente imitado pelos humanos e continua a estar hoje, para nosso mal, na origem de todas as guerras” (p.16), pensamos que o importante é referir o relevante papel do imaginário na aquisição de competências sociais ou socializantes, dando respostas às questões que diariamente invadem os ouvidos das crianças e que, necessariamente, precisam de ser desmontados e compreendidas.

Além da temática do maniqueísmo de onde emergem valores construídos a partir da caoticidade que se desenvolve em torno de personagens em demanda da satisfação e da reposição do equilíbrio emocional, afectivo e até material, emergem também valores políticos e religiosos de dimensão humanitária e social. Falamos, a título de exemplo, do conto “O homem que tinha uma árvore na cabeça” (Letria, 1991) onde a crítica a determina época histórica é feita com uma subtileza singular, apresentando-se as atitudes de transgressão político-social como meios para adquirir a liberdade, factor imprescindível ao exercício duma cidadania respeitadora dos princípios fundadores da individualidade e da alteridade, assim como da defesa da sua própria demanda e da demanda colectiva.

Nestes percursos narrativos, apesar da Metamorfose surpreender e ser factor de facilitação de alguns enredos, não é retirado aos textos o confronto com o sofrimento, a ambição humana, a solidão, a punição, o castigo, o envelhecimento, a morte, a fome e a guerra tidos, por vezes, como negativos nos percursos de construção identitária das personagens. Sem pretendermos enveredar por interpretações psicanalíticas de explicação sobre esta constatação, pensamos que na formação de uma personalidade equilibrada os factores de oposição podem tornar-se pilares de equilíbrio psico-afectivo e emocional, promotores do sucesso humano.

Não estamos a defender um imaginário impregnado de medo e de violência. Queremos dizer, isso sim, que “na ordem dramática do imaginário (…) o que se manifesta é essencialmente uma valência limite, um conjunto ambíguo que faz de cada contorno imagético a possibilidade do seu justo oposto (Silva, 2003: 328).

Tal como afirma Fernando Azevedo (2004a:13) a literatura “ao propor, com funções gnoseológicas, comunicativas e pragmáticas, uma determinada organização estrutural dos signos do seu contexto (…) mantém com ele uma peculiar relação semântica, pela qual, modelizando-o e recriando-o, se mostra capaz de suscitar nos seus leitores-receptores uma modificação substancial dos seus ambientes cognitivos”, gerando efeitos perlocutivos que, “alia à sua dimensão estética e criadora uma vertente projectiva de abertura à possibilidade de mudança, manifestando, pelos seus textos e pelas relações de diálogo polifónico que os seus leitores estabelecem com eles, um potencial educativo fortemente relevante”.

 

 

 

 

3. A percepção da Metamorfose na emergência do Imaginário

 

Nos livros “Lendas da Terra (Letria, 2003a) e “Lendas do Mar” (Letria, 2003b) patenteia-se a Metamorfose numa espécie de idolatria telúrica da Natureza, Terra-Mater, impregnada de força imaginativa, que actua como agente de transfiguração de si mesma e de (re) construção do próprio universo. Dirigida por deuses ou mandatária do poder que estes lhe atribuem, a natureza espiritualizada, ora assustadora e diabólica, ora pacífica e acolhedora, ergue-se projectando os grandes mistérios da alma humana.

Ideias-resposta a questões subjacentes à criação do universo, ao povoamento da terra e à organização social dos seus habitantes são socorridas por fenomenologia possuída de estranheza, reparadora de danos ou instauradora da ordem cósmica. Os povos, interagem com o meio ambiente e dele dependem, alimentando-se e protegendo-se, salvaguardados pelo “deus dos Deuses (…), infalível e senhor da mais absoluta sabedoria” (Letria, 2003a:8). Assim, as personagens vivem nas proximidades dos seres sobrenaturais ou são elas mesmas expressão do sobrenatural e o espaço por onde se deslocam é “permanentemente misterioso, marcado tanto pelo receio como pela admiração, o pavor e o encanto, a repulsa e a atracção” (Parafita, 2006:38), atitudes de oposição que são, todavia, os pilares de toda a ideia de sagrado.

No decurso do conjunto de narrativas que fazem parte destas colectâneas de contos nunca se questiona a presença da Metamorfose ou as alterações que ela produz. Há uma aceitação sem reservas desta força criadora de espantos e, ao mesmo tempo, irremediavelmente incontestada como se cada um tivesse uma predisposição inata para percepcionar os conteúdos do maravilhoso e do sobrenatural, como se fizesse parte de si.

Nesta perspectiva, julgamos poder partilhar a opinião de Pinto-Correia (2000:10) quando afirma que “poderes mágicos que mudam abruptamente o destino não só dos protagonistas, como de todos os mortais, metamorfoses de pessoas, de animais, de plantas e de objectos encontram-se convocados nessas intrigas” e são, quanto a nós, a “alma” destas narrativas, a pedra de toque da sua expressão de arte.

E este aspecto não se arreda do que o conto “A deusa que esculpiu o homem (Letria, 2003a:11)” sugere aos seus leitores. O ser humano não pode existir apenas numa relação de trabalho e de sobrevivência com a natureza. Necessita da “Música e da Poesia” (Letria, 2003a:13) que lhes permitem dar “ às palavras sentidos belos e inesperados” (Letria, 2003a:13), ou seja, precisa de exercer a sua subjectividade através de diferentes formas de arte.

No entanto, a questão da sobrevivência física constitui também uma grande preocupação dos deuses criadores, como podemos constatar nos contos “E assim nasceu o arroz” (Letria, 2003a:4), “O alimento do Amor” (Letria, 2003a:20) e “A bruxa do nariz de ferro” (Letria, 2004:33). É significativa a Metamorfose que se opera no surgimento do alimento que garante a sobrevivência dos protagonistas, “em boas condições” (Letria, 2003a:8). De entre “as plantas e as ervas que foram espalhadas pelo planeta, apareceu o arroz (Letria, 2003a:8), que sendo o alimento energético dos humanos, no primeiro conto, ressurge como “alimento simbólico” (Letria, 2003a:20), nascido como expressão do amor entre um homem e uma mulher, sobre a sepultura” (Letria, 2003a:20) desta.

Esta Metamorfose, assinalada na narrativa pelo surgir espontâneo da planta eleita pelos deuses, perpetua ainda um mito que relaciona o arroz com a simbologia da felicidade e da fertilidade, efectivado, na nossa tradição, pelos ritos de o lançar sobre os humanos, nas cerimónias de casamento. De facto, tal como Chevalier e Gheerbrant (1982:87) o definem, é um alimento essencial, de significação simbólica e ritual, alimento da vida e da imortalidade, de origem espiritual, que possui capacidades de transmutação especiais tão bem inscritas no decurso desta narrativa.

Se nos dois contos referidos podemos observar uma metamorfose lenta no crescimento da planta, que nos vai diminuindo o efeito surpresa, pelo contrário, no conto “A bruxa do nariz de ferro” é abruptamente que irrompe o nosso espanto ao observarmos uma transformação da comida arrecadada pelo lenhador na floresta, em “moedas de ouro” (p.38), completamente inesperada, evidenciando que a metamorfose surge, sempre, envolvendo uma transcrição do existente, um ir além (Moura, 2002:23).

Neste quadro de atmosferas misteriosas, propício ao acontecer de fenómenos inexplicáveis estão também os contos “O dia da sereia” (Letria, 2003b), “A fada das ondas” (Letria, 2003b) e “A lebre branca e os seus oitenta e um irmãos” (Letria, 2004) por neles emergir a metamorfose espiritual, advinda do (des) encontro amoroso como recurso à necessidade da perpetuação do amor poder ser vista como factor que enfatiza o desenvolvimento da imaginação criativa. Por outro lado, a demanda no sentido da ampliação do humano, a procura do ser “mais próximo de nós, o nosso duplo – duplo do nosso ser duplo” (Bachelard, 2001:78) permitem o conhecimento melhor de cada um, na medida em que “uma espécie de transferência interior, (…) que nos conduz para além de nós mesmos, para um outro nós mesmos” (Bachelard, 2001:78) alarga a capacidade de analisar as relações inter-humanas à luz duma alteridade igualitária.

A metamorfose originada pelo amor socorre-se, nestas narrativas, por imagens míticas que encontramos no imaginário popular, imagens de tempos remotos que sempre foram o recurso de muitos contadores de histórias ao pretenderem deixar em aberto as expectativas solicitadas pelos ouvintes/leitores. A sereia que vemos idolatrada pelo pescador da primeira narrativa, a fada das ondas ou a lebre do terceiro conto têm de comum a possibilidade de transmutação corpórea e espiritual que lhes permite não só «pôr à prova» os outros, como amplificar os universos creenciais e polissémicos.

Estes seres possuem uma valência intrínseca, uma predisposição dinâmica, “un shème de (…) modification “ (Brunel, 1974:10) que revela a combinação de diversos esquemas que os conecta com os mitos da metamorfose.

Os fenómenos de transfiguração requerem, normalmente, espaços de abertura ou são eles mesmos esses espaços, na perspectiva dos efeitos que empreendem nos observadores. Os lugares marinhos ou aquáticos apresentam-se os privilegiados nessas transformações. Assim acontece em vários contos do livro “Lendas do Mar “ (Letria, 2003b)  e no conto “A fonte da eterna juventude (Letria, 2004:28). A água representa a “infinidade dos possíveis” e relacionada com os espaços – “os pontos de água” – (…) apresenta-se como símbolo cosmogónico (…) pelo facto de purificar, curar e rejuvenescer (…), faz aceder a outro estado: o do homem novo” (Chevalier e Gheerbrant, 1982: 42-43).

Com efeito, no conto “A fonte da eterna juventude” a metamorfose provocada pela ingestão de água evidencia-se, claramente, com poderes de recolocação dos protagonistas em tempos regressivos, recuperadores de estádios de vida julgados perdidos e repositores do mito da perenidade da juventude física. Os “trinta ou quarenta anos” (p.29) rejuvenescidos por um dos protagonistas da história devem-se, no entanto, ao domínio da arte de ingerir esta substância mineral com moderação, pois “Fumi” – uma outra protagonista – “bebeu mais água do que devia ter bebido e recuou demasiado no tempo, ao ponto de se transformar numa criança acabada de sair do ventre materno” (p.30).

A água, podendo inscrever-se também nos símbolos nictomorfos (Durand, 1989:65-86), adquire neste excerto um carácter de irrevogabilidade, pois pode ser “epifania da desgraça do tempo” (Durand, 1989:69), originadora de “um terrível sofrimento” (Letria, 2004:30).

A presença da negatividade associada a este elemento natural é enfatizada no conto “Castigo de sal (Letria, 2003b:4) através de uma personalização por detrás da qual se levanta um ser cheio de “teimosia e sofreguidão, cobiça e muito pouco respeito pelo que era dos outros” (Letria, 2003b:5), que precisa de metamorfosear o seu universo de atitudes provocadoras. Assim, todo “o simbolismo é, pois, uma espécie de gnose, isto é, um processo de mediação por meio de um conhecimento concreto e experimenta” (Durand, 1993:31), constituindo-se na alegoria que está figurada na personagem “pai” (Letria, 2003b:10), que pune e poderá vir a absorver, construindo uma ideia de moralidade e de obediência.

De facto, a metamorfose adquire sentidos amplos e circunscreve uma área de relevante importância na construção holística do imaginário infantil. A explicação sedimentar de tudo aquilo que, no universo, sugere estranheza, produz os seus efeitos no desenvolvimento global dos pequenos leitores, que, podendo partir da observações completamente vinculadas ao mundo fantástico-maravilhoso, poderão daí fazer a construção de um saber experimental, imposto pelo convívio natural com ambientes abertos à penetração do espectacular, do novo, do diferente, tal motor que desenvolve e se desenvolve no sentido de proporcionar uma vida melhor para todos.

Os objectos mágicos ou possuídos de forças mágicas que aparecem nalgumas narrativas são o exemplo da estreita ligação entre os mundos empírico e ficcional. Se o ser humano, em tempo algum, tivesse ficado arredado do desejo de penetrar pelo desconhecido, voando, ainda hoje não seria possível fazê-lo com a rapidez e o conforto que sabemos. Julgamos que textos como “Ali Kate e o tapete voador” (Letria, 1987:3), “Os poderes do rei Sadim” (Letria, 1992:18), “As chávenas voadoras” (Letria, 1983:19), “Joana e o urso de desenho animado” (Letria, 1996:23) e muitos outros que se incluem na colectânea “Histórias do sono e do sonho” (Letria, s/d) estabelecem “um relacionamento significativo com o mundo” (Teixeira, 2003:605). Ora, sendo as imagens reconstruídas a partir das solicitações da realidade, por um acontecimento, por uma situação externa, por uma narrativa, o sujeito imaginante acrescenta algo à sua existência, projectando-lhe novos sentidos, construindo “uma memória afectiva (…) que opera uma síntese entre uma representação revivescente (…) de modo que é a nossa sensibilidade que serve de mediadora entre o mundo dos objectos e dos sonhos e entre a memória e as lembranças” (Teixeira, 2003:606).

Por isso, o imaginário na sua inter-relação com o mundo das percepções constrói as metamorfoses que asseguram a continuidade do devir e estas são, nem mais nem menos que os mecanismos que processam os quadros futuros de deformação do presente.

A metamorfose, tida como o dinamismo impulsionador das mudanças na emergência do imaginário, é um pouco como a morte: “é a solução para tudo: dissolução do corpo, resolução da alma (…) que nos aproxima da desencarnação da matéria e da reencarnação ou ressurreição (…), símbolo ou interpretação, síntese ou configuração, libertação ou sublimação da existência” (Ortiz-Osés, 2003:93).

  

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Teresa Macedo

CIFPEC/LIBEC – Universidade do Minho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 Este texto insere-se num estudo base duma tese de mestrado intitulada “A Metamorfose na emergência do Imaginário. Leitura das narrativas infanto-juvenis de José Jorge Letria”, apresentada na Universidade do Minho em Dezembro de 2006.

2Os contos “O homem que tinha uma árvore na cabeça” e o “Menino Eterno” são as narrativas mais extensas. Cada livro contém um só conto.

3 Relativamente à “mulher – deusa (Bolen definiu sete tipos: três deusas virgens, três deusas vulneráveis, e Afrodite, a deusa alquímica ou da transformação) corresponde aos mesmos perfis psicológicos de mulheres, em que se evidenciam determinadas características, reacções, preferências afectivas, escolha da profissão, e por aí adiante. Os homens-deuses, também eles com características específicas, representam arquétipos masculinos muito claros. Milhares de anos depois, as semelhanças entre os deuses do Olimpo e os homens e mulheres de hoje, revela a imensa riqueza da análise psicológica de cada tipo mitológico, do ponto de vista de construção da personalidade (Castro, 2005:17).

4 Ver “Castigo do sal”, “o reino das sete ondas”, “Os três emissários do mar”, “O dia da sereia”, e a “A fada das ondas”.

5 Mestre em Estudos da Criança, Análise Textual e Literatura Infantil .

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